ARTE PARA EXISTIR – Espetáculo de Encerramento FII

No dia 27/11/2018, aconteceu, no Teatro Sylvia de Alencar Matheus, o Espetáculo de Encerramento do Ensino Fundamental II: “ARTE PARA EXISTIR”.
Confira alguns registros e os textos produzidos pelos alunos.

Introdução – Juliana Andreotti

Um dia, eu ouvi dizer que arte é expressão. Um dia, eu li que arte é a atividade humana se manifestando esteticamente. É, eu também achei muito confuso. A arte é e está. Um dia, eu vi a arte num buquê de flores. Um dia, ensinaram-me que arte é tudo que está ao meu redor. Eu entendi que arte é resistir. Mas, e se hoje eu dissesse a vocês que, bem aqui nesse palco, vamos vivenciar a arte?

Antes de saber o que é, vamos apreciá-la em diferentes tamanhos. Em variadas cores, seja da pele ou seja do cabelo. Em vários timbres. Vamos sentir a arte em diferentes vozes. Cantando, dançando e recitando. Hoje, a arte vive. A arte faz viver. Em harmonia às batidas de cada coração, a arte faz questão de estar presente e de se apresentar para vocês, majestosa. Não só hoje, mas todos os dias. É só deixá-la entrar. Você, provavelmente, não vai deixá-la ir.

Foi assim que isso tudo começou. Foi só nós darmos espaço para as palavras, músicas e cores, que, juntos, demos vida ao que vem por aí.

Então, prontos para transbordar a arte? O 9° ano apresenta, ao lado do Ensino Fundamental  Arte para Existir.

***Galeria de fotos completa no final da publicação!

 “Sexismo” – Texto de Sophia Dalle Molle

Sexismo é o ato de discriminação e objetificação sexual; é quando se reduz alguém ou um grupo apenas pelo gênero ou orientação sexual. Agora que eu disse isso, tenho certeza que muitos que me ouviram reviraram os olhos, reclamaram ou simplesmente decidiram que não prestarão atenção. Neste momento, peço que ouçam o que vou falar e que reflitam sobre o mundo e na sociedade em que vivemos.

Eu tenho 14 anos. Com esse pouco tempo de vida, já fui diminuída por ser mulher, já escutei que rosa e flores são coisas só para meninas, que heróis e azul é só para meninos e já fui assediada na rua, seja com olhares mal intencionados ou com comentários extremamente desagradáveis de se ouvir, os quais vários até chamam de elogios. A minha professora tem 30 anos e já passou e ainda passa por tudo isso, assim como a grande maioria das mulheres.

A minha professora é 16 anos mais velha que eu. Até eu chegar aos meus 30 anos, se receber UM olhar com o qual eu me sinto incomodada ou se for inferiorizada por causa do meu gênero, UMA vez por semana, em 16 anos, serão 768 vezes que ouvirei isso, pensando de maneira extremamente “otimista”.

De acordo com a pesquisa realizada pelos alunos do curso de psicologia da Fundação de Assistência do Estudante, mais de 95% das mulheres afirmaram já ter sofrido algum tipo de assédio. A cada 1 segundo uma mulher é assediada no Brasil. 56% das mulheres com 16 a 24 anos já sofreram assédio sexual. Mais de 80% das mulheres já foram vítimas do sexismo. Assusta, né? Mas por incrível que pareça, a maioria das pessoas trata isso como o famoso “mimimi” ou não ligam ou acham normal tratar a mulher como inferior. Acredite ou não, já ouvi mulheres defenderem esse argumento. Isso me assusta mais ainda. Se pararmos para pensar, é tão injusto ter que se conformar de ter sido exposta ou diminuída, por causa do seu gênero. Todos merecem ser tratados do mesmo jeito. Tenho quase certeza de que você, homem, enquanto anda na rua, não recebe olhares ou elogios desagradáveis sobre o seu corpo ou que no seu ambiente de trabalho, já foi diminuído por causa de seu gênero, mas tenho certeza absoluta de que, se isso acontecesse, se sentiria inferior. É assim que a grande maioria das mulheres se sentem ao andar na rua e serem assediadas ou diminuídas no trabalho. Inferiores.

Umas das coisas mais difíceis que faço hoje, é subir nesse palco e ler esse texto que escrevi. Dizer tudo isso que acabei de dizer não é algo fácil. Não mesmo. Mas mesmo assim eu vim, caracterizada de uma cantora extremamente feminista, para falar de um assunto considerado tabu. Mesmo assim eu vim, porque eu não aguento mais sofrer por causa disso e acredito que o resto das mulheres também não. Não sou freira, nem sou bruxa. Sou mulher, e mereço respeito, assim como qualquer ser humano. Várias pessoas já se livraram desse pensamento sexista. Agora só falta você.

 

 Texto Juliana Andreotti: O tempo

            Como quem não quer nada, eu apareci e disse que seria todo seu,

Como quem veio pra ficar, você não esperava que eu fosse embora tão rápido.

Acredite ou não, eu sou a dor, mas eu também sou a cura.

Sou o que todos dizem ter, mas que, ainda assim, todo o mundo gostaria de ter mais.

As crianças, mais alguns minutos.

Os adultos, poder voltar um pouco.

Um casal, mais um beijo.

A saudade, eternizar. Paralisar.

Um abraço, mais lentos instantes.

A distância, mais rapidez.

E por incrível que pareça, sou exatamente o mesmo para todas e todos, mas quanto menos eu fico, mais você me espera.

 

Eu sou o tempo

 

 

Vocês já pararam para pensar o que realmente é o tempo? Não o dos números de um relógio, não aquele do dicionário, nem como “tá” lá fora agora. O seu tempo, o meu tempo, o nosso. Acho que nunca vou conseguir definir o tempo. Eu já venho tentando, mas apenas sinto que o tempo não pode, ou não deve, ser definido. Nós não o temos, nem o somos. Ele só vai e vem, quando quer, sem perguntar. Sendo que também sempre está aqui. Tantas vezes imperceptível…

O tempo que uma borboleta levou para sair do casulo e bater asas por aí. O tempo que você levou para chegar aqui. O que passa enquanto eu leio isso e alguém do outro lado do mundo se apaixona, ou então, se desapaixona.

Isso que passa rápido demais ou demora demais, não faz sentido isso ser nomeado, porque, afinal, isso é sentido, é vivido, é ligação, é o invisível que se torna visível. É sentir a melhor dor que meu peito poderia abrigar.

Se algum dia te perguntarem “O que é o tempo?”, “Mas por que levou tanto tempo?”, “Mas por que foi tão rápido?”, olhe nos olhos dessa pessoa e diga como já foi cantado por Renato Russo: “Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo. Temos todo o tempo do mundo”.

 

Jogral sobre Planetas, escrito pela Isadora Coelho Martins

 

Somos uma espécie avançada

em um planeta menor

que uma estrela mediana,

Mas procuramos entender o universo,

e isso nos torna especiais.

 

 

Vivemos em um mundo

cheio de planetas anões,

no qual nenhuma órbita se alinha.

Mesmo vivendo nessa realidade,

nem uma estrela anda sozinha.

 

 

 

Na atmosfera de teu

coração sou gás hélio.

Composição comum

de sua virtuosa grandeza.

 

 

 

Um planeta de luz vermelha,

com um brilho sem calor,

realçando a luz alheia,

me cegando com sua cor.

 

 

Estrelas velhas,

Brilhando a tanto tempo,

Enquanto aqui na Terra,

A vida se esvai com o vento.

 

Uma única estrela

não passa de um ponto,

Um conjunto delas pode formar

a mais linda das constelações

para nos contar um conto.

 

Vejo milhões de estrelas

brilhando no céu

e lá está você,

uma estrela cadente,

dançando com seu véu.

 

Sou o tipo de cometa que

o céu outorga nesse esquivo exílio

Mas sempre que penso em ti,

sinto como se viesse em meu auxílio.

 

Te amar era ser sol.

Te querer era ser lua.

E ter de ir embora,

Foi deixar meu coração

Em carne nua.

 

“Carta ao meu eu do passado” – Texto de Heloísa, Vivian e Beatriz Vilella.

Querido eu,

 

Já faz mais de duas décadas que eu não te vejo. Eu ainda preciso forçar muito a memória para lembrar dos seus traços menos marcantes: não lembro exatamente se você prefere sorvete de chocolate ou de morango, se sua cor preferida é azul ou preto, mas não esqueço do seu medo desesperado de comer jiló, que aliás é uma delícia.

Toda vez que vou ao trabalho, passo pelo lago em que você e papai costumam jogar pedrinhas, apostando para ver qual saltita mais na água. Inclusive, preste atenção nele, você vai sentir falta de assistir filmes antigos ao seu lado. Aproveite também os trocadilhos do vovô, mesmo sendo meio sem graças, serão um conforto da memória nos dias de solidão. O tempo passa mais rápido para os mais velhos. A propósito, tenho sentido isso na pele.

Lembra quando o seu maior problema era o fato da mamãe não deixar você sair com os seus amigos? Agora, muitos deles não estão mais por perto. Alguns foram seguir seus sonhos no exterior, e a Jéssica, por exemplo, terminou com o Carlos e foi para os Estados Unidos.

Sei que agora você está rodeada de dúvidas. Será que escolherá a profissão que realmente gosta ou a que mais dá retorno financeiro? Na pressa, eu escolhi a que mais dá dinheiro e sinto um arrependimento profundo todas as vezes que o despertador toca. Será que vai terminar aquele projeto a tempo? Não, e sim você vai querer matar seu grupo. Será que é boa o suficiente para aquele garoto? Você é.

Mas, comece a dar mais atenção para as pessoas que realmente se importam, e que muitas vezes você não dá valor. Sabe o menino que te ajuda com matemática e você não liga tanto? Agora eu estou com ele, e valeu muito à pena.

Eu sei que, agora, sempre que olha no espelho é inundada por detalhes que tanto te incomodam. Mas lembre que isso é um grão de areia perto do deserto que você é.

Nunca se esqueça de quem você é. Eu sei que está com pressa de se tornar eu, mas todos os dias lembro com saudades de como era bom ser você.

 

Eu te amo, eu me perdoo, eu não te esqueço, eu tenho saudade de mim. Um forte abraço meu,

 

Você.

 

Águas de março – Laura Maria e Juliana Andreotti

 

Janeiro e fevereiro foram meses de amor e ódio, profundos e intensos. Foi de pau à pedra, do início ao fim do caminho. Eu era ventania, quente e aconchegante, você era calor, luz e dor.
Durante meses, vivemos dentro de uma intensidade que meu coração nunca havia habitado. Era euforia, vida, sol, era um sonho, e eu só queria continuar desacordada.
Quando chegou março, meu coração desabou, assim como as chuvas, e eu sabia que ele tinha que partir. Tudo era um mistério profundo, não passava de um queira, não queira. Minhas lágrimas caiam como águas de março.
Os raios de sol tocando na minha pele agora, no fim do verão, eram quentes como a mão dele. Nosso amor era iluminado como um fim de tarde. Porque amá-lo era presenciar a estação mais profunda e indefinida. Porque amá-lo era enfrentar uma tempestade de verão: dessas que assustam quando batem na janela, mas lavam a alma de quem as recebe de bom grado.
Nada poderia deter o nosso amor. Mas aí vieram as chuvas repetidas e monótonas. Não havia relâmpago, nem trovão. Só um bater de água constante na calha, trazendo mais sono que qualquer coisa. A promessa de vida no meu coração se fez: foi embora meu verão, com o começo das águas de março.

 

Texto aos navegantes – Giovanna Altieris e Júlia

Chegamos muito pequenos e não tínhamos noção de que lugar era aquele, olhávamos para o lado e só víamos pessoas estranhas.
Onde estamos?
Quem somos?
​Com o passar do tempo, fomos conhecendo melhor cada colega que ajudou na formação de todos nós. Nossos laços foram se fortalecendo, novas pessoas chegaram,e assim, fomos criando as amizades. Da mesma maneira que a luz azul do farol guia os navegadores, aqui na sala temos
trinta e seis marinheiros que, com suas próprias luzes, ajudam uns aos outros nos obstáculos da vida.
A cada ano as dificuldades foram aumentando e as responsabilidades chegaram. Tarefas, trabalhos, provas, exercícios, redações. Meu deus, o que fazemos primeiro? Será que tudo isso, um dia, vai valer a pena? Acreditamos que a resposta seja sim, afinal, o nosso futuro depende disso.     ​Temos que valorizar nossos pais, que a cada mês, com muito esforço, pagam a escola, para no futuro, conseguirmos traçar uma boa carreira profissional. Além dos amigos, nossa família também é um farol guiando nosso percurso.
Já passamos por tanta coisa até agora, mas ainda temos mais o que aprender, desafios foram superados, porém ainda temos muito pela frente, mais do que sete mares para navegar.
​Uma grande característica dos jovens é a curiosidade, temos essa imensa vontade de descobrir o mundo.  É fantástico o prazer dos adolescentes em conhecer novos ambientes e entender o mundo, mas devemos ter cautela, porque no fim das contas, como diz o famoso ditado popular: “a curiosidade matou o gato”. Até os marinheiros devem se preocupar com os perigos de chegar.
Como navegadores, ainda temos muito mais que sete mares para descobrir. Aportamos no mar do Respeito e da Humildade, estamos atravessando o da Felicidade, daqui a pouco navegaremos pelo da Tolerância e estamos à procura das águas da Auto-estima, do Sucesso e da Autonomia.
Não são poucos os perigos da chegada, mas vamos navegar ainda assim! Aqui se despedem os marinheiros do 9° ano

 

Leitura Dramática: alunos do 9o ano

Música: alunos do Ens. Fundamental II

Dança: Victória Magalhães e Sophia Melle

Sopro: Davi Gallo

Violão: Léo Santos

Direção Musical: Saraswati Dassi

Direção de Arte: Cristiane Define

Cenografia: Depto. de Artes

Direção de cena: Marcella Abboud

Produção: Sant’Anna International School

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *